Ponte de safena: riscos da cirurgia envolvem infecções e AVC

Postado em: 11.mar.2015

A cirurgia de revascularização do miocárdio (“cirurgia de ponte de safena”) é uma técnica para tratamento da doença arterial coronariana. Complicado? Vamos simplificar. A doença arterial coronariana acontece quando as artérias coronárias (vasos sanguíneos que levam oxigênio e sangue até o coração) apresentam obstrução total ou parcial. Essa obstrução geralmente acontece por conta do acúmulo de gordura nas paredes das artérias ao longo de anos, que começa a ser observada nos momentos de maior demanda do miocárdio (músculo cardíaco). Uma ideia do que acontece nesta situação é a angina (dor) e infarto (dor com lesão muscular).

Uma das formas de tratar essa doença é por meio da cirurgia cardíaca. Nesse procedimento, um “atalho” entre a aorta e a coronária é feito para que o sangue passe sem ser interrompido (mais ou menos como uma ponte). A ideia da ponte é permitir que o sangue ultrapasse uma obstrução da artéria. Essa ponte precisa ter características semelhantes às das artérias coronárias, sem que o sangue coagule. Assim, foi criada a ponte feita com veias safenas, que, quando são retiradas das pernas, não fazem muita falta, pois existem vários outros caminhos para o sangue escoar.

A cirurgia é feita com anestesia geral e, geralmente, dura cerca de cinco horas. O acesso ao coração se pelo esterno (osso que fica bem no meio do tórax, na região anterior). Enquanto um cirurgião retira as safenas da perna do paciente, outro recebe essas e as costura na aorta e na coronária, ligando as duas. Uma opção muito utilizada hoje é usar uma outra artéria, conhecida pelos cirurgiões como mamária interna. Este procedimento tem durabilidade muito maior que a das pontes de safena. Como no corpo só existem duas mamárias internas para alimentar o esterno, o ideal é usar apenas uma.

O pós-operatório leva, geralmente, de um ou dois dias em UTI, e mais dois ou três em internação, e é um pouco doloroso, principalmente nas costas. Para ter acesso ao coração, o esterno é separado em duas partes e causa dor pela movimentação das costelas.

Como em toda cirurgia, o procedimento não é isento de riscos, que varia dependendo da idade, função do ventrículo esquerdo, função renal, presença ou não de infarto ou AVC antes da cirurgia, doença pulmonar prévia, entre outras. O risco de morte é de cerca de 1 a 2%. Complicações cirúrgicas que podem ocorrer são infecciosas, que geralmente aparecem ao término da primeira semana pós-operatória. Além disso, o infarto pode acontecer pela manipulação das artérias, sendo geralmente intraoperatório, apesar de raro. Piora de função renal ou cardíaca podem acontecer de forma transitória e casos de AVC intraoperatório são uma realidade, por causa da manipulação da aorta e deslocamento de placas de cálcio.

Os cuidados na ferida operatória são muito importantes para evitar infecção do osso e do espaço entre ele e o coração (osteomielite e mediastinite, respectivamente). Esforço deve ser evitado por cerca de três meses, mas atividades leves são encorajadas, como caminhada, por exemplo.O osso geralmente se consolida bem a partir de seis meses, quando o paciente pode ter uma vida mais próxima do normal. As limitações a partir desse momento estão relacionadas com a condição do coração e das coronárias, que devem ser reavaliadas, pelo menos, a cada ano.

O uso correto das medicações aumenta a duração das pontes de safena, também chamadas de enxertos. O paciente também deve controlar rigorosamente seu colesterol e os níveis de açúcar no sangue. Reabilitação cardiovascular: a readaptação ao exercício físico deve ser iniciada o mais precoce possível, mas com supervisão de uma equipe multidisciplinar, que inclui médico, fisioterapeuta e educador físico.

Fonte: Minha Vida