Unidades Vasculares


A Unidade Vascular (UV) é uma unidade com área física definida e equipe médica própria dentro do Serviço de Emergência com leitos específicos destinados ao atendimento de pacientes com doenças vasculares agudas: o Acidente Vascular Cerebral, (AVC), as doenças coronarianas agudas, a embolia pulmonar e as síndromes aórticas agudas. Ela combina em um só espaço físico os benefícios das Unidades de dor torácica com os benefícios das Unidades de AVC Agudo. O objetivo primordial da Unidade Vascular é tornar mais rápido, mais fácil e mais seguro o tratamento da fase aguda das doenças vasculares tempo dependentes nas emergências constantemente superlotadas.

A UV deve ter alta rotatividade e funcionar com rotinas de atendimento semelhantes à de uma unidade de terapia intensiva.  Não pelos equipamentos sofisticados que deve possuir mas pela adoção de rotinas assistenciais empregadas ao paciente crítico. Camas com grade, 1 monitor multiparâmetro por paciente, oxigenioterapia e 2 bombas de infusão por leito são o máximo da sofisticação. O importante é o conjunto de ações que regem o atendimento, principalmente a integração dos diversos profissionais e serviços. O que faz a diferença é a equipe treinada. A rápida coleta de exames, agilidade das equipes de hemodinâmica e radiologia e o rápido atendimento às diversas intercorrências clínicas são indispensáveis. Reconhecer e tratar o paciente com instabilidade hemodinâmica, severamente hipertenso, com dificuldade respiratória ou com alteração do sensório são as habilidades que o grupo que atende em UV deve possuir. A implementação de  rotinas assistenciais tem impacto positivo na qualidade de atendimento do paciente .

A UV, diferente do resto da emergência, deve ter limite de leitos. Idealmente com 3 a 5 leitos, a UV deve ser interligada por telefone com a área de triagem, coleta, laboratório, radiologia e hemodinâmica. As equipes de especialistas (cardiologia, neurologia, neurocirurgia, hemodinâmica, cirurgia vascular, pneumologia) devem dar suporte técnico durante as 24h do dia em regime de plantão ou sobreaviso para orientação do tratamento específico. Médicos emergencistas, intensivistas ou clínicos com experiência em emergência devem ser treinados para manejar o paciente com AVC agudo e suas intercorrências e devem estar na unidade 24 horas por dia. Além disso, enfermeiro e técnico de enfermagem também devem ser treinados para as rotinas assistenciais. Todas estas ações se justificam para a redução dos tempos porta-intervenção. A permanência dos pacientes com AVC na fase aguda é de 24 a 48 horas nesta unidade. Os indicadores de qualidade assistencial devem ser medidos em relação ao tempo porta-intervenção (quando for o caso), necessidade de internação hospitalar, necessidade de CTI, mortalidade, taxa de sangramento cerebral sintomático e proporção de pacientes com mínima ou nenhuma incapacidade em 3 meses.